A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais. A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama. Pisca e anda. Pisca e brinca. Pisca e estuda. Pisca e ama. Pisca e cria filhos. Pisca e geme os reumatismos. Por fim, pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre – perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”
Monteiro Lobato, excerto de Memórias da Emília (1936)
Olá Jamille!
ResponderExcluirBem-vinda a blogsfera ^^ Seu blog está simplesmente uma graça.
Sobre o post, quem não gosta de Monteiro Lobato né? A gente passa a vida a piscar, e assim ela passa por nós como um furação, de repente. E acaba.
Adorei!
Beijos guria :*
ADOREI, totalmente explicativo, filosófico e ainda explica a simplicidade da vida.
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